
A revolução nossa de cada dia
A nossa é uma revolução silenciosa, amorosa e pacifica. É uma revolução doméstica, no sentido mais sublime do termo. É uma mudança cotidiana, permanente, carinhosa, terna e compartilhada.
Fazemos a revolução cada manhã quando despertamos suando, envolvidas no corpo da cria pequena. Quando a divindade feminina se faz presente através do alimento que oferecemos. Quando organizamos os rituais familiares de comida, banho, limpeza, ordem, palavras, explicações, verdades nomeadas, diálogos abertos, compreensões compartilhadas e sonhos sonhados. Quando somos anfitriãs das celebrações. Quando cada dia compartilhado e cada noite de descanso faz parte da nutrição afetiva. Quando brindamos porque estamos vivos. Quando o poder sussurrante da água nos adormece, e o poder hipnótico do fogo nos vitaliza.
Nós as mães fazemos a revolução quando recuperamos nossos rituais ancestrais, quando defendemos os espaços íntimos, quando fazemos silêncio, quando recordamos que somos a Terra e que somos o Cosmos. Mudamos o mundo quando conservamos o valor sagrado que têm os pequenos atos de intercâmbio humano.
A revolução das mães acontece quando nos deixamos fluir pela energia das treze luas de cada ano. Quando nutrimos, alimentamos, sanamos, atendemos, esperamos e estamos abertas e receptivas para com os demais.
Não importa se tivemos vidas difíceis. Cada dia e uma nova oportunidade para olhar para uma criança, e saber que está desejoso de alimentar-se com nossa substância materna. Tampouco importa se tratamos de um filho próprio ou um filho alheio, por que eles sempre permanecerão receptivos aos cuidados amorosos. Todas as crianças sabem que existe um âmbito generoso e quente latindo no coração de cada mãe, potencialmente útil e nutritivo para eles.
Laura Gutman – Fragmento do livro “La revolución de las madres”
tradução Flavia Penido